Apenas 18+. Jogue Responsavelmente.
O fim do mundo tinha três faixas de preço.
Mini em R$0,50.
Major em R$1,00.
Grand em R$5,00.
Zumbis atravessando a avenida.
Palmeiras balançando.
Hotel neon aceso.
E o apocalipse ainda encontrou tempo para instalar acesso premium.
Fiquei no R$1,00.
Se a civilização realmente ia acabar, não precisava acontecer cinco vezes mais caro.
Fortune Zombie: Dark City abriu a rua com aquele tipo de iluminação roxa que normalmente promete boate, estacionamento suspeito ou problema.
Aqui prometia os três.
A avenida seguia até o horizonte, cercada por letreiros, hotéis, postes antigos e lojas com nomes que pareciam ter sobrevivido à tradução e ao colapso social ao mesmo tempo.
No meio disso, vinha a população.
Yellow Box Mon.
Blue Box Mon.
Purple Box Mon.
Criaturinhas quadradas com olhos, pernas pequenas e valores de 2x, 3x e 4x.
A epidemia tinha transformado caixas de papelão em fauna urbana.
Eu cliquei.
Cada tiro custava R$1,00.
O saldo começou em R$200,00.
Uma caixa amarela caiu.
Outra azul.
Um Green Ape atravessou e pagou 6x.
Zombie Belle entrou depois, toda cabelo ruivo e raiva cadavérica, trazendo 10x.
Foi embora sob tiro.
Zombie Bro apareceu com 15x e cara de quem tinha morrido numa loja de camiseta.
Também caiu.
A rua pagava.
Só não pagava rápido o bastante para cobrir toda a munição que eu estava despejando nela.
R$195.
R$190.
R$184.
O Grand continuava ali no topo, preso atrás de R$5,00.
Eu não mexi.
Aquele cadeado vermelho tinha exatamente a aparência de uma decisão tomada cinco segundos antes de alguém escrever “como fui parar nisso?” num fórum.
Então Cartooth entrou.
Terno laranja.
Charuto.
Óculos escuros.
30x a 150x.
Não parecia um zumbi.
Parecia o proprietário morto de uma churrascaria que ainda estava discutindo a conta.
Comecei a atirar.
A diferença foi imediata.
Enquanto os zumbis menores basicamente exigiam gasto até morrer, Cartooth devolvia valores em sequência durante o ataque.
Tiro.
Pequeno retorno.
Outro tiro.
Mais alguma coisa.
Ele continuava andando pela rua como se aquilo fosse cobrança parcelada.
Quando finalmente caiu, meu saldo já tinha respirado de volta para perto dos R$200.
Eu continuei.
Lootombie apareceu depois com a lanterna na mão e aquela expressão permanente de quem já tinha entrado numa casa errada e decidido furtar mesmo assim.
Mais tiros.
Mais retornos intermediários.
Ele demorou.
Pagou no caminho.
Morreu.
O saldo chegou a R$207.
A avenida estava começando a funcionar.
Não como um jogo de zumbi.
Como uma fila de profissões que tinham continuado depois da morte.
Aí veio Cookdoom.
Chapéu de chef.
Uniforme branco.
Frigideira.
Comida voando.
Zumbi.
O mundo tinha acabado e alguém ainda estava no turno da cozinha.
Ele entrou na minha mira carregando algo entre 20x e 100x.
Atirei.
Pratos e legumes voando.
Moedas entrando aos poucos.
Mais tiro.
Mais retorno.
Cookdoom finalmente caiu.
R$212.
A cidade tinha acabado de me pagar porque eu passei vários segundos atirando num chef morto em frente a um hotel neon.
Isso era muito mais DSF do que qualquer linha de frutas poderia conseguir.
O problema seguinte tinha asas.
Blue Gargoyle surgiu carregando um cofre.
Não protegendo.
Carregando.
A criatura estava literalmente voando por uma cidade infestada de zumbis enquanto transportava um cofre industrial.
Talvez fosse o único cidadão que ainda acreditava em patrimônio.
Fiquei nele.
A Railgun estava disponível.
Custava três vezes a aposta, então R$3,00 por disparo.
Era mais forte.
Também tinha princípios.
Ela nem aceitava alvo de 3x ou menos.
O mundo estava em ruínas e minha arma mais poderosa tinha valor mínimo de cliente.
Não usei imediatamente.
Continuei com tiro normal.
O gargoyle passou voando com aquele cofre como se estivesse atrasado para esconder o caixa da loja antes do amanhecer.
Mais tiros.
Mais.
Até cair.
O cofre despencou junto.
Abriu.
Três dados.
Era isso.
O apocalipse parou para jogar dados.
Os números saíram.
Multiplicação.
30x.
R$30,00.
Saldo: R$242.
O gargoyle tinha sido abatido, o cofre tinha caído, os dados tinham decidido o valor e a cidade tinha acabado de transformar violência aérea em aula de tabuada.
Continuei porque, naquele momento, a rua tinha estabelecido uma reputação.
Era um erro.
Não um grande erro.
Só o tipo de erro que começa com “vou ver mais um pouco”.
Vieram Box Mons.
Um Blue Ape.
Zombie Bro de novo.
Eu gastei.
Ganhei pequenos pedaços.
Gastei mais.
Uma criatura um pouco melhor apareceu e finalmente fiz um disparo de Railgun.
R$3,00.
O projétil atravessou a tela com energia suficiente para sugerir que alguém tinha instalado equipamento espacial num carrinho de supermercado.
O alvo caiu.
Valeu a pena.
Mais ou menos.
A Railgun continuou se recusando a mirar nos zumbis mais baratos.
Tinha nojo de pobreza.
Quando a avenida terminou aquela sequência de visitantes médios, meu saldo tinha recuado para R$216.
Ainda acima do começo.
Ainda controlado.
Ainda em R$1,00.
O Grand continuava piscando em R$5,00.
Eu continuava fingindo que ele não existia.
Então apareceu um palhaço.
Ringmaster.
Claro.
Roupa verde e rosa.
Nariz vermelho.
Corneta.
Sorriso incompatível com qualquer situação que envolvesse cadáveres.
E uma espécie de tambor-roleta preso na barriga.
A cidade tinha avançado da epidemia para o circo sem trocar de rua.
Mirei nele.
O Ringmaster trouxe sua própria cerimônia.
Três giros.
Primeiro valor.
20x.
Segundo.
40x.
Terceiro.
30x.
Já estava bom.
Só que veio mais um giro.
Re-trigger.
O palhaço tinha conseguido estender o próprio espetáculo.
Última parada.
50x.
Total.
140x.
R$140,00.
Meu saldo pulou de R$216 para R$356.
Foi aí que a avenida perdeu qualquer direito de ser tratada como emergência sanitária.
Aquilo era programação.
A noite tinha começado com caixas zumbis de 2x caminhando pela rua.
Passou por um chef morto.
Depois um gargoyle com cofre.
E agora um palhaço tinha acabado de resolver a sessão com uma roleta instalada no próprio corpo.
A parte perigosa veio depois.
Porque Dark City ainda tinha muita coisa que eu não tinha encontrado.
Soul Bride estava em algum lugar, sentada numa lua roxa, pronta para transformar um beijo em ataque de tela inteira.
Reaper ainda podia aparecer com cartas numa mão e uma foice grande o bastante para ter CEP próprio na outra.
Rock Skeleton podia entrar com guitarra, moicano e a possibilidade de transformar a avenida inteira num show de metal até 1200x.
E havia o gorila.
Mini Kong.
Cristal azul.
Rage meter.
Evolução até King Kong.
Prédio com 1x, 2x, 4x, 7x e 10x.
Um macaco morto escalando um multiplicador em formato de arranha-céu.
Eu queria ver.
Esse era o problema.
Dark City tinha entendido exatamente como continuar cobrando munição.
Não precisava prometer só dinheiro.
Prometia o próximo absurdo.
Deixei a rua correr um pouco.
Zombie Belle apareceu novamente.
Atirei.
Pagou.
Um Ape passou.
Mais alguns disparos.
Caiu.
Um grupo pequeno cruzou a avenida.
Nada importante.
R$351.
R$347.
R$342.
Parei.
Não porque a cidade tivesse acabado.
Muito pelo contrário.
Ela estava apenas começando a ficar ambiciosa demais.
R$200,00 de início.
R$342,00 no fim.
Nenhum jackpot.
Nenhum Grand.
Nenhuma escalada de R$5,00.
Nenhum King Kong usando meu saldo para subir prédio.
A sessão tinha sido construída de outra maneira.
Primeiro, os mortos baratos consumiram munição.
Depois, Cartooth e Cookdoom começaram a devolver dinheiro enquanto apanhavam.
Blue Gargoyle caiu com um cofre e transformou três dados em 30x.
A rua tirou um pouco de volta.
E então Ringmaster apareceu com uma roleta abdominal e colocou R$140,00 no saldo como se palhaço morto fosse instrumento financeiro perfeitamente razoável.
Fechei ali.
Os letreiros continuaram acesos.
O Grand continuou trancado.
O hotel permaneceu no fundo.
Algum zumbi cozinheiro provavelmente ainda estava preparando legumes.
O esqueleto podia afinar a guitarra sozinho.
A noiva morta podia esperar na lua.
E, se King Kong quisesse escalar o prédio de multiplicadores, teria de encontrar outra pessoa para comprar as balas.
A infestação continuava.
O palhaço já tinha pago.
Quando Showdown Max Duel trava, é só um minuto de reflexão coletiva.
