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Eu estava com o canhão apontado para um tamboril quando o lado esquerdo do oceano ficou laranja.

Não teve aviso sonoro. Não teve luz especial. Primeiro passou um tentáculo por trás do coral. Depois outro. Aí entrou a cabeça inteira do Rei do Oceano, olhando para a tela com a tranquilidade de quem já tinha atravessado milhares de canhões e sabia exatamente quantos tiros um jogador aceita desperdiçar antes de perder a dignidade.

O tamboril continuava na frente dele.

Atirei mesmo assim.

O primeiro disparo pegou no tamboril. O segundo acertou um Peixe-Anjo Gigante atravessando por baixo. O terceiro encontrou um pedaço de tentáculo tão grande que devia ter correnteza própria.

Vieram bolhas. Vieram clarões. Vieram moedas que ainda não eram minhas.

O Rei do Oceano continuou nadando.

Mantive o canhão em R$0,50 e acompanhei o olho dele com a mira. Foram doze tiros correndo atrás daquela cara laranja enquanto ele seguia para a direita. Cada impacto fazia o corpo piscar, mas o ritmo não mudava. Parecia que eu estava jogando pedrinhas num polvo que tinha compromisso do outro lado do recife.

Um Peixe-Palhaço Dourado entrou no meio do caminho.

Foi capturado.

O Rei sumiu atrás de uma pedra.

O peixe-palhaço pagou uma coisinha.

Aquilo não teve gosto de prêmio. Foi o recife colocando um trocado na minha mão para eu parar de perguntar pelo polvo.

Deixei o canhão quieto por alguns segundos. Os peixes comuns retomaram suas rotas. Peixes-anjo vieram por baixo. Um tamboril passou lá em cima, todo boca, testa e nenhuma urgência. Cardumes pequenos cortaram o centro em formação perfeita, muito mais coordenados do que qualquer decisão que eu tinha tomado desde o primeiro tentáculo.

A roda de bônus permanecia apagada na lateral.

Bonita, colorida, cheia de setores dourados e completamente ausente da confusão.

Voltei a escolher melhor os alvos. Peguei alguns peixes pequenos. Um Peixe-Anjo Gigante tomou tiro suficiente para eu começar a desconfiar que “gigante” não era o tamanho dele, mas a quantidade de munição necessária para convencê-lo a soltar moeda.

Quando finalmente estourou, devolveu uma parte do que eu já tinha despejado no Rei.

Uma parte bem educada. Pequena. Quase tímida.

O mar ficou vazio perto do coral superior direito.

Outro tentáculo apareceu.

Ele tinha voltado.

Dessa vez, vindo da direita para a esquerda.

Subi o canhão para R$1,00 antes que a parte responsável do meu cérebro conseguisse chegar perto do botão.

O Rei do Oceano entrou mais perto, ocupando o corredor central. A cabeça cobriu metade dos peixes ao redor. Os tentáculos varreram o fundo. Não parecia um alvo entrando numa armadilha. Parecia o dono do aquário fazendo uma visita.

Comecei a atirar antes de a mira parar.

Um Peixe-Anjo Gigante cruzou o rosto dele e levou os dois primeiros disparos. Um cardume minúsculo recebeu a rajada seguinte. O tamboril voltou e estacionou a própria testa dentro da mira, assumindo oficialmente o cargo de escudo real.

O Rei avançava atrás deles.

Acionei o Torpedo.

A água explodiu no centro da tela. Luz, bolhas, impacto, peixe voando para todos os lados. Durante um instante, o recife inteiro pareceu ter entendido que o polvo precisava sair dali.

O Torpedo capturou peixes.

O Rei do Oceano continuou.

Um Peixe-Palhaço Dourado virou moedas perto dos tentáculos. Dois peixes-anjo desapareceram no clarão. O polvo atravessou a explosão com a mesma cara com que tinha entrado, carregando meus tiros no couro e nenhuma intenção de colaborar.

Foi ali que Mega Fishing deixou de ser pescaria.

Aquilo já era uma perseguição submarina em que todos os moradores do recife tinham escolhido o lado do polvo.

Acionei a Railgun.

Uma faixa branca cortou o oceano.

O Rei sumiu dentro da luz. Os tentáculos tremeram. A água brilhou ao redor da cabeça. Moedas começaram a aparecer na parte de trás do disparo, e eu me inclinei para a tela porque, finalmente, aquilo parecia captura de verdade.

A Railgun tinha pegado um peixinho atrás dele.

O Rei saiu do outro lado inteiro.

O peixinho pagou um valor que não cobria nem a empolgação que eu tinha acabado de gastar.

A roda de bônus continuava apagada.

Os setores laranja e dourados estavam todos ali, arrumadinhos, esperando uma sessão que claramente não era a minha.

O Rei se aproximava do limite esquerdo. Pela primeira vez, havia água limpa entre a cabeça dele e o coral. Nenhum peixe-anjo. Nenhum tamboril. Nenhum peixe-palhaço disposto a atravessar a mira para salvar a monarquia marinha.

Acionei Frozen.

Uma luz azul tomou a tela. Os cardumes pararam. As bolhas ficaram suspensas. O Rei do Oceano congelou no centro, com um tentáculo levantado, como se o próprio mar finalmente tivesse mandado ele esperar.

A mira ficou parada na testa.

Atirei.

O primeiro disparo entrou.

Depois outro.

Mantive o canhão de R$1,00 batendo exatamente no mesmo ponto. O corpo piscava a cada impacto. O gelo rachava ao redor dos olhos. Moedas brilhavam perto dos tentáculos sem terem decidido ainda para quem pertenciam.

Continuei.

A luz azul começou a desaparecer.

O olho dele mexeu primeiro.

Depois veio o tentáculo.

O Rei do Oceano descongelou e retomou o passeio.

Nada de captura. Nada de roda. Nada de explosão real. Só um polvo enorme voltando a nadar depois de passar alguns segundos parado recebendo tiros de R$1,00 na testa.

Ele alcançou o coral e sumiu.

Baixei o canhão para R$0,50.

O oceano imediatamente se encheu de peixes menores, todos muito valentes agora que o parente gigante tinha levado minha munição para fora da tela.

Capturei outro peixe-anjo. Um tamboril recebeu vários tiros, virou de lado e finalmente soltou algumas moedas. O valor cobriu três disparos daqueles que ele próprio tinha bloqueado durante a segunda passagem do Rei.

Depois foi embora com a serenidade de quem achava que tínhamos fechado um bom acordo.

Esperei o Rei voltar.

O coral de cima mexeu, mas era só um cardume.

O corredor inferior escureceu, mas trouxe outro Peixe-Anjo Gigante.

A roda não acendeu.

Frozen não reapareceu. A Railgun ficou muda. O Torpedo não tinha mais nada a acrescentar à história.

Dei seis tiros finais no trânsito comum.

Um atravessou água vazia. Dois acertaram um peixe-anjo que escapou. Outro bateu num tamboril e aparentemente melhorou o humor dele. Os dois últimos passaram atrás de um Peixe-Palhaço Dourado sem encostar.

Parei.

O canhão ficou apontado para o meio do oceano.

A roda de bônus permaneceu escura.

Um único Peixe-Palhaço Dourado entrou na mira vazia, virou o rostinho para mim e seguiu pelo recife sem dano, sem pressa e ainda protegido pelo Rei do Oceano.

Até o som de vitória de The Great Genie soa triste.

🔥 O scatter apareceu. O resto veio no prejuízo.
24/08/2026 09:42:03