Apenas 18+. Jogue Responsavelmente.
A garrafa de uísque tinha entendido a situação antes de todo mundo.
Ficou quieta no canto dos reels, baixa, marrom e perfeitamente consciente de que não era hora de se meter entre um cowboy com cara de poucos amigos e um cacto usando chapéu, lenço vermelho e armas.
O cowboy parecia ter passado a manhã inteira esperando alguém dizer alguma coisa errada.
O cacto nem precisava de expressão.
Tinha espinhos.
Comecei com R$72,40 e giros de R$0,80, uma quantia boa o bastante para assistir à discussão sem precisar hipotecar o cavalo que eu nem tinha.
Nos primeiros giros, o deserto funcionou normalmente.
Botas.
Ferraduras.
Crânios de boi.
Letras verdes e douradas ocupando espaço.
Uísque.
Mais botas.
Nada parecia disposto a explicar qual dos dois tinha começado a briga.
Um Wild apareceu no segundo reel.
Cresceu até ocupar a coluna inteira.
x1.
Era pouco em multiplicador, mas excelente em postura.
O cacto tinha acabado de chegar e já precisava de um reel completo só para ficar em pé.
Algumas botas atravessaram a linha e devolveram R$2,40.
Depois ele sumiu.
O cowboy continuou com a mesma cara de homem que havia acabado de encontrar uma cerca construída cinco centímetros dentro da propriedade dele.
Mais alguns giros.
Uma ferradura caiu sozinha.
Depois duas.
Depois uma garrafa de uísque cercada por letras.
A ferradura estava fazendo uma demonstração bastante convincente de que sorte é um conceito flexível.
Outro Wild entrou.
Outra coluna tomada.
Dessa vez, o encaixe em volta dele devolveu R$5,60.
Nada explosivo.
Mas eu já tinha escolhido um lado.
O cowboy tinha músculos, dois braços e um maxilar capaz de abrir lata.
O cacto tinha aparecido duas vezes e, nas duas, exigido um reel inteiro.
R$0,80 continuou rodando.
O crânio de boi voltou várias vezes com aquele olhar vazio de quem já tinha sido informado sobre o duelo e, por razões óbvias, não pretendia participar.
A garrafa também manteve distância.
Ao fim dos 24 primeiros giros, o saldo tinha caído para R$68,00.
Não era exatamente um assalto.
O deserto tinha cobrado R$4,40 para eu assistir a um cacto ameaçar um homem.
Já paguei mais caro por entretenimento pior.
Subi para R$1,20.
Não porque os reels tivessem feito alguma promessa.
Porque o cacto estava ganhando no carisma e eu queria saber se ele também sabia atirar.
Dois giros passaram secos.
No terceiro, as ferraduras finalmente resolveram justificar o emprego.
R$3,60.
Pouco depois, outro Wild se abriu pela coluna e ajudou uma combinação a chegar a R$4,80.
As garrafas apareceram juntas mais adiante e colocaram R$8,40 na sessão.
O uísque tinha mudado de posição.
Não diria que estava do lado do cacto.
Diria apenas que já não estava fingindo neutralidade.
Doze giros nesse valor deixaram o saldo em R$70,40.
Melhor.
O cowboy continuava furioso.
O cacto continuava armado.
As botas continuavam aparecendo como se alguém estivesse tentando evacuar a cidade a pé.
Então vieram os Scatters.
Um.
Nada.
Dois, alguns giros depois.
Nada de terceiro.
Mais dois.
De novo, o espaço vazio onde o último precisava cair ficou muito mais interessante do que qualquer cacto, revólver ou animal morto na tela.
Não veio.
Continuei em R$1,20.
Quatro giros depois, os três chegaram.
A rua de terra desapareceu.
A discussão entrou para dentro.
E ali ficou evidente que o cacto não estava interessado em duelo.
Estava interessado em ocupação.
O primeiro Wild caiu.
Expandiu.
Travou no lugar.
No giro seguinte, ele continuava ali.
Símbolos novos entraram ao redor dele, mas aquela coluna já tinha dono.
Boots passaram.
Letras se encaixaram.
Uma garrafa caiu perto demais e imediatamente pareceu arrependida.
Outro Wild entrou.
Outra coluna inteira.
Travada.
Agora havia dois pedaços permanentes de cacto no meio dos reels, e todo o resto precisava trabalhar ao redor deles.
O cowboy não estava mais na tela.
Talvez tivesse visto a situação pela janela e tomado uma decisão adulta.
Veio um ganho pequeno.
Depois outro.
Os Wilds não saíram.
Essa era a parte que começava a deixar o deserto estranho.
Tudo o mais era passageiro.
Bota chegava e ia embora.
Ferradura chegava e ia embora.
Uísque chegava e, dependendo da noite, provavelmente ia embora mais rápido ainda.
O cacto ficava.
Então apareceu a versão com cinco balas.
Expandiu pelo reel.
O cilindro começou a trabalhar.
Uma bala trouxe x2.
Outra resolveu não fazer grande cerimônia.
Depois veio x4.
Agora sim.
O cacto tinha parado de simplesmente ocupar território e começado a melhorar as condições do território.
Uma combinação atravessou os Wilds presos e empurrou o total do bônus para cima.
O crânio de boi apareceu no meio deles.
Situação ruim para um crânio.
Ele participou de um ganho e desapareceu no giro seguinte.
Os cactos ficaram.
Mais símbolos caíram.
Mais linhas passaram pelas colunas tomadas.
O cowboy, que no começo parecia o sujeito mais perigoso do Arizona, já tinha perdido completamente o controle da própria história.
O rival dele não só ocupava três reels como agora carregava munição matemática.
A garrafa de uísque surgiu de novo.
Longe dos Wilds.
Boa escolha.
Então caiu um Wild com cilindro de revólver.
Esse veio com planos maiores.
Uma bala aumentou o multiplicador.
Outra dobrou o que já estava ativo.
Depois uma terceira acertou duas Rodadas Grátis.
O cacto tinha acabado de disparar contra o relógio.
Não toquei em nada.
Quando um vegetal armado começa a produzir tempo adicional, a intervenção humana deixa de parecer necessária.
O giro seguinte encontrou uma conexão boa atravessando as colunas presas.
Depois outra.
A tela já não parecia uma grade de 5×4.
Parecia um saloon que tinha tentado expulsar um cacto e descoberto tarde demais que ele havia trazido amigos.
As botas apareciam espremidas nos espaços restantes.
As ferraduras tentavam contribuir.
O uísque continuava cumprindo sua função principal, que naquele momento era estar presente e não fazer perguntas.
Mais um giro.
Outro ganho.
Os multiplicadores já tinham transformado as colunas travadas em algo muito mais inconveniente do que simples Wilds.
Cada símbolo novo que entrava precisava negociar com um pedaço do deserto que se recusava a sair.
Outro cilindro apareceu.
Uma das balas acrescentou mais uma Rodada Grátis.
Só uma.
Modéstia.
O cacto já tinha tomado boa parte da tela, aumentado multiplicadores, dobrado multiplicadores e fabricado três giros que não existiam alguns minutos antes.
Uma Rodada Grátis adicional parecia quase um gesto discreto.
A primeira delas colocou mais dinheiro no total.
A seguinte fez pouco.
Na última, uma combinação atravessou novamente os Wilds e empurrou o bônus até R$102,00.
Fim.
As colunas travadas desapareceram.
O saloon voltou a respirar.
Os cactos foram embora sem pedir autorização.
R$167,60 ficou no saldo.
O cowboy continuava sem aparecer.
Pela primeira vez, isso pareceu inteligência.
Dei mais sete giros a R$1,20.
Não estava procurando outro bônus.
Queria apenas saber se a cidade ainda funcionava depois da invasão.
Primeiro giro, nada.
No segundo, uma combinação curta devolveu R$3,60.
Depois vieram letras.
Uma bota.
Uma ferradura.
O crânio.
E, claro, a garrafa de uísque.
Ela tinha esperado todo o tiroteio terminar para voltar ao centro da tela.
Profissional.
Os últimos giros passaram sem nenhum novo Wild querendo comprar território à força.
Parei com R$162,80.
O saldo inicial tinha sido R$72,40.
O cactus tinha colocado R$90,40 em cima disso e deixado o cowboy com exatamente o que ele tinha no começo:
chapéu, raiva e sobrancelhas.
Não vi motivo para financiar a revanche.
Danny Dollar me deu esperança pra vender de volta por 2x.
