Apenas 18+. Jogue Responsavelmente.
O tigre abençoou o pátio com um chute.
Uma moeda dourada atravessou a tela, bateu na pedra vermelha e entrou direto no monte de pétalas que uma vassoura de bambu tinha acabado de juntar.
Nem encostou na pá.
Só desapareceu no serviço pronto.
Acima dos rolos, Fortune Tiger abriu os braços.
Colete vermelho.
Barriga branca.
Óculos escuros grandes o bastante para esconder sabedoria milenar, irresponsabilidade total ou o simples fato de que ele não fazia ideia de onde a moeda tinha caído.
Outras moedas rodavam pelo ar.
Pétalas cor-de-rosa cruzavam o telhado verde.
O tigre jogou o corpo para trás, mostrou todos os dentes e terminou uma dança que não tinha contribuído em nada para a limpeza do palácio.
A vassoura permanecia encostada numa coluna.
Uma pá dourada e rasa esperava no chão.
Ninguém aparecia para usar qualquer uma.
Pela cara do tigre, a fortuna pertencia ao clima e a limpeza seria responsabilidade de alguma dinastia futura.
O palácio inteiro cabia em três rolos.
Três salas de largura.
Três andares.
Cinco caminhos cerimoniais atravessavam aquele quadrado enquanto as telhas verdes curvavam por cima e o tigre ocupava espaço suficiente para sugerir que o prédio tinha sido projetado em torno da barriga dele.
Entrei com R$2,00 por rodada.
A corte começou a circular.
Laranjas rolavam pelas pedras inferiores.
Envelopes vermelhos passavam com bordas douradas.
Sacos de dinheiro chegavam redondos, roxos e amarrados no topo, cada um com a postura de quem sabia guardar mais valor do que a pessoa observando a tela.
Pacotes de fogos apareciam presos por corda vermelha, com papel azul brilhando perto demais da madeira do templo.
Lingotes dourados descansavam dentro de tigelas.
Amuletos de dragão verde atravessavam o centro cobertos por joias, fazendo qualquer réptil comum parecer que tinha saído de casa sem se arrumar.
E o tigre aparecia como Wild.
Podia virar qualquer coisa.
Quando as laranjas alcançavam o lugar dele, Fortune Tiger aceitava trabalho temporário no setor de frutas.
Se os sacos de dinheiro completavam o caminho, ele virava patrimônio sem tirar os óculos.
Quando os fogos encontravam o Wild, o mascote oficial da sorte se transformava numa carga explosiva usando colete vermelho.
A linha pagava.
O tigre voltava ao normal.
Nenhuma fumaça.
Nenhuma dúvida.
Os óculos permaneciam no rosto.
Comecei a desconfiar de que aquilo não era acessório de moda.
Era equipamento de proteção.
O começo da sessão correu como uma torneira dourada mal fechada.
Entrava alguma coisa.
Saía mais.
Laranjas pagavam em pequenas famílias.
Um caminho de envelopes devolvia parte da aposta.
Os lingotes brilhavam por alguns segundos.
Os sacos de dinheiro preferiam ficar separados por uma sala, redondos e indisponíveis.
Cada vitória curta jogava moedas pelo pátio.
Quase todas caíam longe da pá.
O tigre continuava dançando enquanto a vassoura permanecia contra a coluna e a cerimônia espalhava novamente tudo o que o palácio parecia ter acabado de organizar.
O jogo não atacava de uma vez.
Ia ficando caro em parcelas de R$2,00.
Cinco linhas eram suficientes para produzir várias procissões quase completas.
Dois amuletos de dragão se encontravam e recebiam uma laranja na última posição.
Os sacos de dinheiro chegavam ao meio e entregavam o fim do caminho para um pacote de fogos.
Envelopes vermelhos cercavam o Wild, mas a linha passava por outro andar e deixava o tigre sorrindo no meio de uma correspondência que ninguém podia abrir.
Ele substituía qualquer símbolo.
Só não conseguia convencer o restante da corte a ocupar o lugar certo.
Essa limitação nunca chegava ao rosto dele.
Fortune Tiger sorria como se geometria fosse trabalho de algum funcionário ausente.
Foi no meio dessa rotina que os rolos mudaram ainda em movimento.
O tigre parou de dançar.
As orelhas levantaram.
Uma pata desceu na direção do palácio.
A decisão tinha sido tomada.
Havia variedade demais naquele reino.
Os dragões verdes foram retirados.
Os lingotes sumiram.
Os sacos de dinheiro saíram pelas laterais.
Os envelopes desapareceram entre as colunas.
As laranjas rolaram para fora tão rápido que uma bateu na pá dourada, deu meia-volta e fugiu pelo portão.
Só os fogos ficaram.
O tigre encarou os pacotes.
Os pacotes encararam o tigre.
As portas do palácio fecharam.
De repente, cada sala só podia receber três coisas: fogo, Wild ou vazio.
Do lado de cá da tela, afastei o copo do teclado.
Os primeiros pacotes de fogos se prenderam aos rolos como convidados que tinham chegado para a festa já carregando o próprio risco de incêndio.
Cordas vermelhas apertadas.
Papel azul.
Fusíveis apontando para lugares onde ninguém sensato guardaria fusíveis.
As salas vazias giraram ao redor deles.
Outro pacote caiu.
Tudo voltou a se mover, menos os explosivos que já tinham ocupado posição.
A cada nova chegada, o palácio inteiro era obrigado a girar outra vez.
Fortune Tiger tinha escolhido fogos como formato oficial da riqueza eterna.
O recurso cresceu num único aperto.
Entrava um pacote.
O resto girava.
Entrava outro.
Os anteriores ficavam.
O templo parecia tentar sacudir os fogos para fora, mas cada movimento só trazia mais um.
Moedas caíam das vigas.
As telhas verdes tremiam.
O tigre continuava acima dos rolos com os braços abertos, os óculos refletindo um pátio que já continha motivos suficientes para evacuar um bairro.
Ele não recuou nem um passo.
Consequência nenhuma reconhecia aquele animal por trás das lentes.
A fileira superior se completou primeiro.
Três pacotes de fogos ficaram alinhados logo abaixo do telhado verde.
Pareciam menos uma vitória e mais um sistema de aquecimento instalado por alguém com rancor da arquitetura.
As salas restantes voltaram a girar.
Mais papel azul entrou pelo centro.
Então o Wild caiu bem no meio do palácio.
Fortune Tiger apareceu dentro da moldura dourada, boca aberta, patas erguidas, óculos ainda no rosto.
Um pacote de fogos se instalou à esquerda.
Outro pousou à direita.
A fileira central fechou.
O tigre ficou espremido entre duas cargas explosivas e virou fogo o suficiente para completar o caminho.
Duas linhas inteiras atravessavam o templo.
A de cima, formada por fogos de parede a parede.
A do meio, fogo, tigre, fogo.
O ouro ao redor dos rolos engrossou.
O colete vermelho brilhou.
O selo de x10 pareceu acordar.
Foi aí que chegou o último pacote.
Parte inferior.
Bem no centro.
Diretamente abaixo do Wild.
Ele travou naquela posição.
As duas salas vazias dos cantos inferiores voltaram a girar.
Nada caiu.
O palácio tentou mais uma vez.
Em cima, três fogos.
No centro, um fogo, o tigre e outro fogo.
Embaixo, vazio, um pacote solitário, vazio.
O pacote final tinha chegado ao banquete, encontrado todas as mesas ocupadas no andar superior e escolhido sentar debaixo do trono.
Os rolos pararam.
A linha de cima acendeu.
A do meio queimou através do Wild.
O ouro atravessou o pátio.
Fortune Tiger abriu os braços para receber o x10.
O selo continuou fechado.
Todos os símbolos visíveis precisavam participar de alguma vitória.
O pacote inferior não pertencia à fileira de cima.
Não fazia parte da fileira central.
Também não entrava nas diagonais, porque os cantos de baixo estavam vazios.
Era um explosivo completo, presente no palácio, excluído da festa por ter entendido errado o mapa dos assentos.
O tigre olhou para baixo.
Os óculos refletiram o pacote solitário.
O pacote não se moveu.
O x10 recusou a cerimônia.
O recurso pagou 10x.
Com R$2,00 por rodada, entraram R$20,00.
Vinte reais.
O palácio tinha expulsado laranjas, envelopes, lingotes, dragões e sacos de dinheiro.
Tinha preenchido sete das nove salas.
Tinha construído duas fileiras vencedoras.
Tinha colocado o próprio tigre no centro de uma instalação explosiva.
Depois um pacote sentou no chão errado e cancelou a bênção multiplicada.
As moedas se espalharam pelas pedras.
A vassoura tombou da coluna.
A pá permaneceu vazia.
Fortune Tiger comemorou acima da bagunça com a força de quem não tinha visto o valor.
Sacudiu as patas.
Mostrou os dentes.
Pétalas invadiram o pátio.
O telhado verde piscou.
O pacote isolado continuou debaixo dele por mais um instante, sem uso e exatamente na direção da cauda.
O tigre mudou ligeiramente de posição.
O fogo não.
O recurso acabou.
O palácio voltou ao normal.
As laranjas entraram rolando.
Os sacos de dinheiro retomaram a política de permanecer separados.
Os envelopes vermelhos voltaram aos caminhos.
Os dragões de jade atravessaram o centro como se ninguém tivesse transformado o templo inteiro num depósito de fogos poucos segundos antes.
O Wild reapareceu e ajudou uma linha pequena de laranjas.
Virou fruta.
O palácio pagou pouco.
Ele voltou a ser tigre e continuou sorrindo.
Os R$20,00 não resgataram a sessão.
A corte já tinha levado mais do que isso antes da intervenção, e o restante não trouxe resposta.
Alguns envelopes passaram.
Uma linha de lingotes brilhou.
Os fogos começaram a chegar em pares, sempre parecendo parentes do pacote que tinha sentado sob o x10 e destruído a bênção da família inteira.
Parei claramente abaixo.
Na última tela, um único pacote de fogos pousou novamente na posição inferior central.
Nada combinou com ele.
Nenhum recurso abriu.
Nenhuma linha se formou.
Ficou ali sozinho, no mesmo lugar do anterior.
Acima dos rolos, Fortune Tiger baixou o corpo para a pose habitual.
A barriga redonda se alinhou perfeitamente sobre o pacote.
O fogo parecia uma almofada.
O tigre manteve os óculos.
A vassoura de bambu continuava caída perto da coluna.
A pá dourada estava coberta por pétalas.
Fechei o jogo.
Fortune Tiger permaneceu sob o telhado verde, sorrindo sobre um palácio cheio de ouro, flores e um explosivo apagado diretamente sob o traseiro.
Tinha prometido uma vida inteira de sorte.
A sorte veio com pavio curto.
Diamonds 4 The Win não solta Scatter. Solta ameaças.
