Apenas 18+. Jogue Responsavelmente.
Eu aumentei a aposta porque era fruta.
Foi assim que começou.
R$2 parecia pouco. As laranjas estavam ali, redondas, brilhando naquele 3×3 organizado demais, como se pagassem condomínio e tivessem rotina. Então subi para R$4 antes mesmo do primeiro giro terminar. Se vai ser bonitinho assim, pensei, aguenta.
Primeiro ganho: R$12.
Três laranjas alinhadas. Sem fogos. Só um pulso discreto e o número aparecendo como se já estivesse decidido antes de eu apertar.
R$12 em R$4 não deveria mexer comigo.
Mexeu.
Segundo giro: R$0.
Terceiro: R$8.
Quarto: R$0.
A grade não girava de verdade. Ela atualizava. As frutas piscavam e voltavam como se trocassem de lugar sem sair do lugar. Nada quebrava. Nada caía. Só substituição. Isso começou a me incomodar de um jeito pequeno.
Subi para R$5.
O saldo descia e subia em degraus baixos. R$10. R$0. R$15. R$5. R$0.
Nada gritava.
E então vieram as moedas.
Três delas.
A tela travou.
Três rodadas para aparecer mais.
Eu não fiquei nervoso. Só percebi que estava esperando mais do que antes.
Primeira: nada.
Segunda: moeda. R$9.
Terceira: nada.
Total: R$24.
Não era grande. Mas parecia maior do que deveria.
O saldo encostou em +R$60.
Eu me ajeitei na cadeira como se tivesse entendido o ritmo.
Estável, pensei.
Essa palavra ficou confortável demais na minha cabeça.
Estável.
Mudei um ajuste sem saber explicar por quê. A tela não mudou visualmente. Isso foi o que mais me incomodou. Se eu mexo em algo, algo devia mexer de volta.
Próximo giro: R$0.
Depois: R$0.
Depois: R$35 em moedas que surgiram devagar demais, como se estivessem me testando.
O R$35 ficou grande na tela.
Grande demais para o silêncio que veio depois.
Saldo +R$92.
Eu sorri sozinho.
Aumentei para R$6.
Primeiro giro: R$0.
Segundo: R$18.
Terceiro: R$0.
O saldo caiu para +R$74.
Eu franzi a testa, mas não era preocupação. Era irritação por a linha não estar lisa.
Moedas de novo.
Quatro.
Tela travada.
Primeira rodada: moeda. R$12.
Segunda: nada.
Terceira: moeda. R$15.
Resetou.
Eu já estava inclinado para frente.
Próxima: nada.
Próxima: nada.
Última: nada.
R$54.
Doze vezes a aposta.
O saldo bateu +R$128.
Foi o ponto mais alto.
Minhas mãos ficaram quentes.
Não porque era absurdo.
Porque parecia perto de algo maior que nunca aparecia.
Subi para R$8.
Não pensei. Só fiz.
Primeiro giro: R$0.
Segundo: R$0.
Terceiro: moedas.
Cinco delas.
Minha garganta apertou.
Tela travada.
Primeira rodada: nada.
Segunda: moeda. R$14.
Terceira: moeda. R$20.
Resetou.
Sete moedas na tela.
Os números pareciam pequenos dentro do espaço que ocupavam.
Próximo giro: nada.
Depois: moeda. R$11.
Resetou.
Oito moedas.
Faltava um espaço.
Eu fiquei olhando para aquele quadrado vazio como se ele fosse me responder.
Giro.
Nada.
Giro.
Nada.
Última chance.
Nada.
R$81.
Em R$8.
Não era pouco.
Mas também não era o que eu tinha sentido por um segundo.
Saldo +R$161.
Eu ri.
A risada saiu errada.
Baixei para R$5 para “segurar”.
Segurar o quê, exatamente?
Os giros seguintes vieram em sequência: R$0, R$10, R$0, R$15, R$0.
O saldo começou a descer devagar. +R$140. +R$122. +R$109.
Toda vez que encostava perto de +R$150, algo pequeno raspava um pedaço.
Nada violento.
Só preciso.
Eu parei de olhar o topo e comecei a olhar a diferença.
O quanto eu estava acima.
O quanto eu já tinha estado acima.
Moedas de novo.
Três.
Depois quatro.
Parou em R$28.
O R$28 me irritou mais do que os R$0.
Subi para R$10.
Silêncio.
R$0.
R$0.
R$40.
O saldo voltou para +R$120.
Era como se tivesse uma altura invisível ali.
Eu ficava encostando nela.
Nunca passando.
Os giros começaram a se misturar. As laranjas eram sempre as mesmas. O brilho era sempre o mesmo. A atualização da grade parecia limpa demais, como se apagasse qualquer traço do giro anterior.
Depois de quase uma hora, eu estava +R$52.
Não +R$161.
Não R$0.
R$52.
Olhei para o número como se ele tivesse diminuído sozinho.
Aumentei para R$12.
Não sei por quê.
Primeiro giro: R$0.
Segundo: R$0.
Terceiro: moedas.
Quatro.
Tela travada.
Primeira: nada.
Segunda: moeda. R$18.
Terceira: nada.
R$30.
Em R$12.
Aquilo pareceu torto.
O saldo caiu para +R$40.
Eu senti um aperto estranho no peito.
Não medo.
Não adrenalina.
Algo como compressão.
Como se o espaço entre os números estivesse encolhendo.
Continuei.
R$0.
R$0.
R$24.
R$0.
R$12.
O saldo ficou em +R$27.
Eu poderia ter parado ali.
Eu sabia disso.
Mas cada giro parecia inacabado. Como se estivesse sempre prestes a acontecer algo maior do que a grade permitia.
Último giro em R$8.
R$16.
Exatamente o dobro.
Perfeito demais.
Eu fechei.
A tela voltou para as nove posições limpas. Laranjas brilhando como se nada tivesse acontecido.
Saldo final: +R$43.
Não parecia vitória.
Também não parecia perda.
Só parecia que eu tinha passado uma hora tentando subir uma coisa que nunca foi feita para ser escalada.
E as laranjas continuavam ali, redondas e pacientes, como se soubessem que eu voltaria para tentar alcançar um teto que não existe.
Magic Fruits Dice entregou 0,1x e chamou de “vitória moral.”
