Apenas 18+. Jogue Responsavelmente.
A última batata tinha três olhos.
Dois eram normais.
O terceiro parecia ter informação demais.
Meu saldo estava em R$ 502,00.
A batata continuava ali.
Naquele momento, as duas coisas pareciam relacionadas.
Quarenta minutos antes eu tinha começado com R$ 500,00, escolhido R$ 2,00 por giro e aberto um porão onde alguém claramente tinha abandonado a ideia de consumir qualquer coisa que crescesse debaixo da terra.
Havia sacos encostados na madeira úmida.
Raízes pendiam do teto.
Uma pá estava largada perto de um monte de terra.
Moscas trabalhavam sem supervisão.
Minhocas apareciam entre os símbolos.
E havia batatas em várias fases de uma jornada que já tinha ultrapassado bastante a palavra “madura”.
Uma estava verde.
Outra tinha brotos suficientes para começar uma pequena floresta.
Uma terceira parecia ter desenvolvido dentes.
A principal Batata Podre tinha aquela aparência específica de vegetal esquecido atrás do armário e encontrado seis semanas depois já com opiniões próprias.
Apertei girar.
Cenouras.
Besouros.
Ferramentas.
Batatas.
Um pequeno cluster desapareceu.
Outros símbolos caíram.
Tudo normal.
Outro grupo pagou pouco e saiu.
Então uma batata estragada apareceu encostada num cluster vencedor.
A combinação sumiu.
Ela ficou.
Uma mancha verde saiu do tubérculo e atravessou duas casas vizinhas.
Uma cenoura deixou de ser cenoura.
Um besouro também abandonou a profissão.
Os dois viraram batatas.
Nenhum dos dois demonstrou qualquer resistência.
O novo grupo conectou.
Pagou.
Sumiu.
R$ 2,00.
Financeiramente, nada digno de registro.
Na agricultura local, porém, a situação já tinha saído completamente do controle.
Foi mais ou menos ali que Rotten Potato explicou sua prioridade.
Não era cultivar batatas.
Era garantir que, cedo ou tarde, tudo acabasse sendo batata.
Continuei.
Os giros seguintes foram tranquilos o bastante para fazer o primeiro surto parecer um problema isolado.
Vieram ferramentas.
Besouros.
Cenouras.
Sacos.
Algumas batatas pousaram em posições inúteis e ficaram ali com aquela textura de coisa que nenhuma avó aceitaria descascar.
Um Saco de Batata apareceu uma vez à esquerda.
Nada.
Alguns giros depois surgiu outro do outro lado.
Nada.
Nunca três juntos.
O porão possuía uma quantidade aparentemente ilimitada de sacos, mas tinha adotado uma política rígida contra armazená-los no mesmo lugar.
Depois de dezoito giros, tinham saído R$ 36,00 e voltado R$ 16,00.
R$ 480,00.
Mantive os R$ 2,00.
Não fazia sentido aumentar a aposta contra um alimento que já estava perdendo a batalha contra o oxigênio.
O giro seguinte trouxe uma concentração de batatas na metade inferior da grade.
Algumas pareciam aceitáveis.
Duas já estavam suspeitas.
Uma tinha ultrapassado a fase de suspeita e entrado diretamente em evidência biológica.
O cluster fechou.
R$ 6,00.
As vencedoras desapareceram.
A podre permaneceu.
A mancha verde saiu dela para cima.
Depois para a esquerda.
Três símbolos novos foram contaminados.
Mais batatas.
Elas se juntaram às que tinham acabado de cair.
Outra combinação.
R$ 8,00.
A segunda cascata limpou parte da grade.
A mesma batata ficou.
Então brotou.
Não de maneira metafórica.
Um talo verde saiu do topo dela.
Dois olhinhos abriram um pouco mais.
A moldura mudou.
WILD apareceu embaixo.
Eu já tinha visto Wilds representados por deuses, cowboys, raios, diamantes, monstros, lobos, dragões e vários animais que pareciam ter sido contratados exclusivamente para ocupar um rolo inteiro.
Este tinha conseguido o cargo por germinação.
Novos símbolos caíram.
O Wild Brotado conectou dois grupos de batatas que, sem ele, teriam ficado separados.
Virou um cluster enorme.
A grade sacudiu.
Parte das batatas não simplesmente desapareceu.
Virou purê.
Uma mancha amarelada ficou no meio da grade.
x2.
R$ 12,00.
O purê permaneceu.
Isso criava uma questão que ninguém na tela parecia disposto a responder.
Quem tinha amassado as batatas?
Não havia cozinheiro.
Não havia cozinha.
Não havia sequer uma panela.
Havia uma pá, algumas minhocas e uma batata recém-promovida a Wild.
Alguma coisa naquele porão tinha decidido preparar acompanhamento.
Mais símbolos despencaram.
O broto continuava no mesmo lugar.
Outra Batata Podre entrou do lado oposto.
Um pequeno grupo venceu.
A nova podridão se espalhou.
Duas casas mudaram de espécie vegetal.
Uma das novas batatas caiu justamente sobre a área x2.
Outro grupo grande se formou.
Mais purê.
Desta vez x3.
As duas manchas acenderam.
O centro da grade agora era praticamente uma refeição que jamais deveria ter passado pela vigilância sanitária.
A primeira batata continuava no meio de tudo.
Verde.
Brotada.
Wild.
Provavelmente orgulhosa.
A última cascata entregou R$ 26,00.
O giro inteiro tinha rendido R$ 52,00.
Depois da aposta, o saldo tinha caído para R$ 478,00.
Terminou em R$ 530,00.
Uma única batata tinha recuperado toda a perda anterior e ainda deixado R$ 30,00 de sobra por meio de contágio, germinação e purê.
No giro seguinte, a grade voltou ao normal.
Uma cenoura.
Dois besouros.
Uma pá.
Um saco.
Uma batata saudável.
O desastre aparentemente tinha respeitado fronteiras municipais.
Continuei nos R$ 2,00.
A partir dali, os símbolos caros perderam importância.
Uma combinação premium podia cair.
Tudo bem.
Um Saco de Batata podia aparecer.
Eu olhava.
Mas meus olhos sempre voltavam para qualquer tubérculo esverdeado.
Uma Batata Podre caiu ao lado de besouros.
Os besouros venceram e sumiram.
A Podridão pegou uma única casa.
Nada conectou.
Fim.
Outra conseguiu sobreviver a duas cascatas.
Na terceira, desapareceu antes de brotar.
Faltou tão pouco para aquela batata encontrar uma carreira.
Alguns giros depois vieram dois Sacos de Batata juntos.
A iluminação do porão mudou.
A porta de madeira atrás da grade mexeu.
Houve uma pancada lá dentro.
Faltava o terceiro.
No espaço onde ele poderia ter aparecido, caiu uma cenoura.
Perfeitamente limpa.
Laranja.
Saudável.
Uma cenoura em boas condições tinha impedido o acesso ao porão secreto.
Depois do que eu já tinha visto, isso pareceu comportamento extremamente suspeito para um vegetal tão apresentável.
Segui girando.
R$ 1,20 aqui.
R$ 2,00 ali.
Um pequeno pagamento de R$ 3,80 com minhocas ocupou o canto inferior por tempo suficiente para dar a impressão de que o próprio solo estava tentando sair da tela.
Mas a grande infecção não voltou.
Quinze giros consumiram R$ 30,00 e devolveram R$ 9,00.
Restaram R$ 509,00.
Ainda estava acima do começo.
Melhor ainda, o evento da batata tinha preservado a própria dignidade.
Se aquilo acontecesse a cada quatro minutos, deixar de ser cenoura para virar batata seria apenas rotina.
Dei mais cinco giros.
O primeiro morreu vazio.
No segundo apareceram novamente dois Sacos de Batata.
Um na extrema esquerda.
Outro na extrema direita.
A porta do porão tremeu.
No meio entrou um besouro.
O porão permaneceu fechado.
No terceiro giro, um cluster de cenouras pagou R$ 3,00.
Só isso.
Nenhuma Podridão.
Nenhum broto.
Nenhum purê.
Cenouras cumprindo a função básica de cenouras.
Depois de quarenta minutos naquele lugar, parecia pouca ambição.
O quarto giro colocou uma Batata Podre no alto.
Não havia nada útil perto dela.
A grade parou.
Ela ficou ali verde e inútil, como uma ameaça que tinha chegado cedo demais.
No último giro, aquela batata saiu.
Outra caiu bem no centro.
Nenhuma vitória se formou ao redor.
Nenhum líquido verde atravessou as casas.
Nenhum saco abriu a porta.
Nenhuma mancha de purê apareceu.
O saldo terminou em R$ 502,00.
Uma aposta acima de onde tinha começado.
As Rodadas Grátis nunca vieram.
A porta do porão nunca abriu.
Não houve feature completa.
A sessão inteira ficou presa àquele giro no meio, quando uma batata sobreviveu tempo suficiente para criar um broto, virar Wild, contaminar os vizinhos e participar da transformação de metade da grade em purê multiplicador.
A última batata continuava no centro.
Três olhos.
Um brotinho verde.
Nada pagando ao redor.
Não toquei em mais nada.
Depois do que a primeira tinha feito, interromper uma batata nessa fase parecia uma péssima ideia.
Vampire’s Fate me deu respin e arrependimento no mesmo pacote.

